12 de janeiro de 2009

UMA AULA PARA MACARENA

A formalidade de uma "aula de dança" nem sempre auxilia o processo. No Gaia, sempre pensamos dessa forma, sem, no entanto, menosprezar essa prática. O que temos em mente é que uma aula, sem contexto específico, (sem dúvida) ajuda o artista em sua caminha individual, mas não (necessariamente) auxilia o processo específico.

"Aulas" podem ser feitas de muitas maneiras. Na realidade, prefiro o termo "prática" pois, pelo menos pra mim, parece mais abrangente. Práticas para o corpo, para o criativo, para o próprio processo de construção, práticas teóricas, práticas virtuais, enfim...

Inserida nesse projeto de forma diferente, uma vez que a cabe ao Diego o direcionamento criativo deste projeto, e tendendo para o foco nas práticas do corpo, percebi que seria interessante trabalhar o velho conceito da aula de dança, porém completamente inserida nos objetivos criativos do projeto.

Isso me levou apensar na seguinte pergunta: De que forma pode-se construir uma prática que se foque, exclusivamente, na qualidade de execução e suas variáveis, sem deixar de considerar os ideiais criativos do projeto e seu eixo articulador e motivador?

O resultado desse questionamento desdobrou-se em um desafio que reconfigura a noção formal da aula que serve para tudo para uma noção de aula que serve para isso!


Serve para:


- trazer unidade a um grupo eclético;

- desenvolver a qualidade de execução desse movimento (nossa partitura matriz)

- fazer pensar as lógicas do corpo;

- disciplinar nós mesmos;

- auxiliar o processo de construção da obra;

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- e descobrir, ao longo do seu desenvolvimento, outras serventias que nem mesmo eu poderia citar nesse momento do projeto.

11 de janeiro de 2009

UMA AVALANCHE DE MACARENA - PARTE V

I am not trying to seduce you

When I dance they call me Macarena
and the boys they say que soy buena
they all want me
they can't have me
so they all come and dance beside me
Move with me
Chant with me
and if your good I'll take you home with me

Dale a tu cuerpo alegria Macarena
Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena
Hey Macarena

But don't worry about my boyfriend
He's a boy who's name is Vitorino
I don't want him
couldn't stand him
He was no good so I ...

Now come on, what was I supposed to do?
He was out of town and his two friends were sooo fine

Dale a tu cuerpo alegria Macarena
Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena
Hey Macarena

I am not trying to seduce you

Come and find me, my name is Macarena
always at the party con las chicas que soy buena
come join me,
dance with me
and you fellows chant along with me

UMA AVALANCHE DE MACARENA - PARTE IV

"Macarena" é uma canção da dupla espanhola Los del Río sobre uma mulher de mesmo nome, ou qualquer mulher da vizinhança de La Macarena, em Sevilha. Ela fez muito sucesso entre os anos de 1995 e 1997, e foi a música de maior sucesso de 1996.

A canção se tornou o segundo single com mais tempo em #1 e estreiou no topo do ranking dos singles de maior sucesso na primeira semana nos EUA. A dupla foi eleita como "1º Maior One-Hit Wonder de todos os tempos" pela VH1 em 2002.

"Macarena" foi remixada pelos Bayside Boys e adicionada de letra em inglês. No Brasil, ganhou uma versão axé. O sucesso veio após a criação da dança, por uma instrutora venezuelana de flamenco, que se espalhou pelo mundo em 1996 como o hit de verão e acabou sendo esquecida em 1997.

A canção foi eleita como sendo a 2ª mais irritante da história da música pela revista Rolling Stone [1] e a 10ª mais irritante pelo site The Sun.

ORIGEM E HISTÓRIA
Como resultado de sua longa carreira, Los del Río foram convidados para fazer uma turnê pela América do Sul em Março de 1992 e, enquanto visitavam a Venezuela, eles foram convidados para uma festa particular organizada pelo empresário venezuelano (de ascendência cubana) Gustavo Cisneros. Vários venezuelanos proeminentes estavam na festa naquela noite, incluindo o presidente na época, Carlos Andrés Pérez.

Cisneros contratou uma professora local de flamenco, Diana Patricia Cubillán Herrera, para fazer uma pequena apresentação para os visitantes, e Los Del Rio ficaram muito surpresos com as habilidades de dança de Cubillán. Espontaneamente, Romero recitou o refrão da canção em um palco, como uma acolhida à Cubillán, mas chamando-a de "Ma'dalena" (Magdalena): "Dale a tu cuerpo alegría, Ma'dalena, que tu cuerpo e' pa' darle alegría y cosa' buena'" ("Dê ao seu corpo alegria, Magdalene, porque seu corpo serve para dar alegria e coisa boa"). Na cultura australasiana, chamar uma mulher de "Magdalena" é dar a ela uma associação com o passado de Maria Madalena e, mais precisamente, a descreve como sendo sensual ou misteriosa. [2]

Romero viu grande potencial na rima improvisada e, de volta a seu hotel, a dupla formou as estruturas básicas da canção. Como "Magdalena" já era o título de uma canção do cantor mexicano Emmanuel, muito popular na época, Romero sugeriu que eles usassem "Macarena" como nome da canção, sendo que além de ser parte do nome de uma de suas filhas, é um nome popular na Andalusia, dando a ele associação com a Virgem de Macarena, a encarnação de Virgem Maria que é a patrona do bairro de Sevilha barrio La Macarena. A dictomia da Virgem-Macarena provavelmente explica o resto da letra: uma canção sobre uma jovem mulher, a namorada de um recente recruta do Exército Espanhol de nome Victorino (cujo nome pode ter sido inspirado em uma espécie de boi com longos chifres, evocando o cornudo, ou a vítima masculina da infidelidade de sua parceira, auma imagem mental comum na cultura da Espanha e da América Latina), que celebra seu relacionamento com a garota saindo com dois amigos seus. Macarena tem uma queda por homens de uniforme, passando vários verões em Marbella, e sonhando em fazer compras em El Corte Inglés (o departamento com maior estoque de roupas na Espanha), indo para New York City e conseguindo um novo namorado.

A canção foi lançada originalmente em 1993, como uma rumba. Essa era a primeira do total de seis versões da canção que estão associadas a Los Del Río. Outra versão, um tema com fusão entre new flamenco rumba pop com várias letras em espanhol, conseguindo um significante sucesso na Espanha e no México. Ela também se tornou popular em Porto Rico devido a seu uso para uma campanha não-oficial em favor do então governante Pedro Rosselló, que estava almejando uma reeleição pelo chapa do Novo Partido Progressista de Porto Rico. Sendo base de vários cruzeiros, mmuitos visitantes foram constantemente expostos à canção durante sua visita a Porto Rico. Isso certamente explica como a canção se espalhou tão rapidamente — e se tornou um megahit — por cidades com grandes comunidades latinas nos Estados Unidos, particularmente Miami e New York City.

Após ser remixada pelos Bayside Boys e ter algumas letras em inglês adicionada a si, ela se tornou um grande hit mundial no verão (hemisfério norte) de 1996. O single permaneceu por 14 semanas consecutivas no topo da parada musical norte-americana Billboard Hot 100, uma das maiores permanências no topo na história do Hot 100. Durante sua época de sucesso, a canção era tocada constantemente em jogos profissionais, rally's, convenções, e outros lugares. A Macarena se tornou popular através do ano de 1996, mas no final de 1997, sua popularidade caiu assutadoramente. A canção também quebrou recordes de permanência na parada Hot 100 com suas 60 semanas.

A canção também recebeu um cover de Los del Mar, que foi primeiramente lançado em 1995 e novamente ao mesmo tempo que a original no Reino Unido na esperança de enganar as pessoas, fazendo com que elas comprassem sua versão por engano. Ela não alcançou o top 40, mas a versão de Los del Río chegou à posição #2. No Canadá, porém, a versão de Los del Mar se tornou muito popular no MuchMusic e no top 40 das rádios do país em 1995, eclipsando parcialmente a popularidade posterior da versão original.

Em 1997, a canção vendeu mais de 11 milhões de cópias. Apesar de ter direito apenas à 25% como royalties pela canção, Romero e Ruiz se tornaram consideravelmente milionários. De acordo com o Serviço de Notícias da BBC, apenas durante o ano de 2003 — uma década após o lançamento inicial da canção — Romero e Ruiz arrecadaram mais de US$250,000 em royalties. Julio Iglesias é citado dando os parabéns à dupla pessoalmente: "Meu sucesso cantando em inglês em Miami não é nada comparado ao seu; vir de Dos Hermanas com uma pequena exposição internacional em todos os lugares e vender tantas cópias na Espanha custa duas grandes caixas de cojones.[3]"

No documentário de 2002 da VH1, 100 Maiores One-Hit Wonders, "Macarena" foi eleita como a #1. Também em um documentário diferente da VH1, As 40 Piores Canções N° 1, "Macarena" foi eleita a #1 como sendo um oxymoron.


COREOGRAFIA
O que mais marcou a canção foi sua coreografia, inexistente na versão original. Simples, engraçada e no ritmo da música:

1. Coloque os braços esticados para frente, com a palma para baixo. Direito, depois esquerdo.

2. Coloque as mãos na parte de trás da cabeça. Primeiro direita, depois esquerda.


3. Coloque as mãos na cintura. Primeiro direita, depois esquerda.


4. Abaixe-se "rebolando", no grito: "EEEEEE, Macarena!"
Dê um pulo, girando a 90° no sentido horário, no grito "AAAAAI!" (hahaha)




Um soldado norte-americano ensinando a Macarena a um soldado iraquiano.

UMA AVALANCHE DE MACARENA - PARTE III

UMA AVALANCHE DE MACARENA - PARTE II

UMA AVALANCHE DE MACARENA - PARTE I

Dale a tu cuerpo alegria Macarena
Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena
Hey Macarena

Macarena tiene un novio que se llama
Que se llama de apellido Vitorino
Que en la jura de bandera el muchacho
Se metio con dos amigos

Macarena sueqa con El Corte Ingles
Que se compra los modelos mas modernos
Le gustaria vivir en Nueva York
Y ligar un novio nuevo

8 de janeiro de 2009

CRIAÇÃO DA PARTITURA MATRIZ

Fiquei pensando se essa partitura matriz não deve ser uma estrutura de mobilidade do corpo já conhecida de todos, inclusive do público, como a “Macarena”, por exemplo, citada pela Luíza em nosso primeiro ensaio. Parece-me que dá a ver de maneira clara e bem amplificada os possíveis e inúmeros desdobramentos de sentido que podem ocorrer no reprocessamento coreográfico; muito mais do que se fosse algo desconhecido criado em sala de ensaio, ou mesmo criado a partir de algo já estabelecido mas fora do domínio geral da cultura do entretenimento (uma matriz de movimentos criada a partir de coreografias de Bausch, por exemplo). Dá a ver de maneira clara e bem amplificada pois é necessário, para quem vê, uma camada de tempo para apreensão do projeto coreográfico matriz para que somente depois disto a camada de desdobramentos e reprocessamentos deste projeto possam começar a ser desveladas pelo público. Caso seja algo de apreensão rápida, e, principalmente, de identificação corpórea imediata, os desdobramentos emergem em primeiro tempo e plano – nosso objetivo com a pesquisa.

Quer dizer, a Macarena, por exemplo, já é marca da mobilidade do corpo na cultura do mundo; traz, em sua estrutura formal, códigos de dança estabelecidos e de domínio público; uma dança que já está impregnada nos corpos, em suas mobilidades, visualidades, sonoridades, espacialidades, etc. Além de ser um ícone da cultura pop em geral e da dança em particular e que nós, enquanto Gaia, temos interesse em colocar em debate.

Até porque estamos lidando com o conceito de reprocessamento, de pós-produção, e acredito que esta partitura deva ser originariamente já instituída, já posta em circulação na cultura para que nossos propósitos possam ser desenvolvidos e apresentados de forma eloqüente. Como diz Bourriaud (citado em nosso projeto de pesquisa):

“Pos-produção” é um termo técnico utilizado no mundo da televisão, do cinema e do vídeo. Designa o conjunto de processos efetuados sobre um material gravado: a montagem, a inclusão de outras fontes visuais ou sonoras, a legenda, as vozes em off, os efeitos especiais. Como um conjunto de atividades ligadas ao mundo dos serviços e da reciclagem, a pós-produção pertence ao setor terciário, oposto ao setor industrial ou agrícola – de produção de matérias brutas. [...] A matéria que manipulam já não é matéria prima. Para eles não se trata de elaborar uma forma a partir de um material bruto, senão trabalhar com objetos que já estão circulando no mercado cultural, ou seja, já informados por outros. [...] as ferramentas mais frequentemente utilizadas para produzir tais modelos relacionais são obras e estruturas formais preexistentes, como se o mundo dos produtos culturais e das obras de arte constituísse um estrato autônomo apto para agenciar instrumentos de relações entre os indivíduos; como se a instauração de novas formas de sociabilidade e uma verdadeira crítica das formas de vida contemporânea se dessem por uma atitude diferente a respeito do patrimônio artístico, mediante a produção de novas relações com a cultura em geral em com a obra de arte em particular. (BOURRIAUD, 2007, p. 7-9, tradução e grifo nossos)
Tá, confesso que essa citação é bem emblemática para este projeto, vide post abaixo, que já a continha (hehehe).